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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um biólogo na redação

É difícil explicar como estou em uma redação de rádio atualmente. Tudo na minha vida apontava para que eu fosse biólogo e desde pequeno eu sonhava com isso. Devorava livros que falavam sobre o meio ambiente, ciência, fauna e flora. Debruçava-me sobre revistas científicas e “pseudo-científicas” desde que consigo me lembrar. Parecia natural para mim e qualquer pessoa que eu conhecesse que eu fizesse vestibular para Ciências Biológicas na UFRGS.

Pois eu fiz o vestibular e cursei biologia até completar o quarto semestre de curso e foi aí que comecei a considerar se aquilo realmente me fazia feliz. Assim como fazem alguns executivos, resolvi tirar um semestre sabático. Afastar-me e verificar as coisas que realmente iriam fazer minha vida melhorar, tanto na área profissional quanto nas questões pessoais.

Eu esperava que meus pais não me apoiassem em qualquer decisão por mudança que eu tomasse, pois eu já estava com cerca 21 anos e poderia ser tarde demais para a mudança. Mas eu estava enganado. Me apoiaram desde o momento em que disse que precisava tirar um tempo para pensar pois a biologia não estava me satisfazendo plenamente. Então comecei o período de “afastamento”.

Foi muito proveitoso, pois por mais que eu tenha me afastado das aulas e das atividades de estágio, nunca me afastei de coisas que me lembravam a biologia. E de maneira discreta e despretensiosa o jornalismo retornou à minha vida. Sim, retornou, pois eu havia passado por um breve período de indecisão em meio ao ensino médio, quando me questionava entre biologia, design e jornalismo.

Design rapidamente saiu da lista de opções quando lembrei que minhas aptidões de desenho e noções de combinação não são as melhores. Mas sempre ficava aquela pequena dúvida na minha cabeça: Biologia ou Jornalismo? Eu arrisquei a primeira opção e acabei mudando de idéia. Em dois anos de curso eu ainda não havia me decidido por qual área seguir e, por mais que biologia seja uma área ampla, é um terreno em que prevalecem os especialistas.

Eu nunca me vi especialista e focado em algo extremamente específico, sinto falta de certas liberdades para perambular por diferentes áreas do conhecimento. Ainda não sei dizer se o jornalismo vá ser a escolha correta, mas estou no mesmo período que a mudança de idéia anterior. Mas tenho certeza que hoje, aos 23 anos e terminando o quinto semestre de jornalismo em uma universidade particular, sou muito mais feliz que aquele estudante de biologia recém saído do ensino médio para uma instituição federal.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Abrindo as portas

Depois de um bom tempo sem ter um blog por medo de escolher uma temática, resolvi começar um novo. E achei que por bom ele não deveria ter uma linha de postagens fixas, a única exigência é que o assunto me agrade.

Mais difícil do que escolher o tema ou como o blog iria funcionar foi escolher o nome. Precisava ser algo que me deixasse confortável e que também fosse sonoro, não dá pra negar. Imediatamente veio à minha cabeça o sótão da minha casa e aquele quarto no qual eu passo a maior parte dos meus dias desde 2000. Dizem que de acordo com a definição o sótão da minha casa é um segundo andar, que é um lugar bom de passar os dias e não deveria ser assim. Eu discordo. Para mim, meu quarto fica no sótão e não no segundo andar. O sótão é aquele lugar que eu vou quando preciso entrar em contato comigo mesmo.

Quem me conhece acha que eu só vou falar de futebol e não vou abordar nada de “útil”, mas isso não é verdade. Espero que eu fale de tudo mesmo, incluindo esportes em geral, não só futebol. O que importa é que eu use esse blog como uma forma de “colocar pra fora” tudo aquilo que me alegra e que me perturba. E quem sabe eu ainda explico como é esse lugar que me faz sentir calmo e sereno mesmo sendo no centro de Novo Hamburgo.